Pescarias de Robalos

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SONHOS DE VERÃO


Sem pressa, fechou sua conta no Hotel Vila Real em Guaratuba e se preparou para o evento previsto para acontecer às 23:32 h...
Tinha tempo para aquele encontro, daí ter o cuidado de  não se decepcionar, nem decepcioná-la!
Conduziu seu carro até um estacionamento utilizado pelos surfistas,  num ponto deserto e sem iluminação noturna ,  não mais que  a 8 km do centro da cidade.
Reclinou o banco após programar no som do carro algumas músicas em MP3, baixadas através da internet e se deliciou com elas, enquanto aguardava sua chegada.
Quase cochilou . . .quase!
Seria um desastre, mas se recuperou a tempo de seu embevecimento musical.
Pontualmente , 2 minutos antes do encontro, saiu do carro após tirar os mocassins e arregaçar a calça branca    tirando a camisa para sentir a brisa do vento suave massagear seu peito.
Apanhou o estojo de couro preto , a maleta térmica no banco de passageiro e se dirigiu à praia, caminhando descalço sentindo a maciez da areia branca, fina e fria...
Sobre um tronco enterrado na areia a 10 metros da préamar, depositou os dois volumes e sentou-se à espera dela no momento em que a primeira lâmina de onda espraiada chegou mansamente a molhar seus pés.
Noite  sem uma nuvem sequer, sómente o cintilar de milhares de estrelas num céu de breu azulado escuro.
No horizonte infinito do mar calmo, um suave clarão prenunciava o evento e no momento em que se pôs de pé, e passou sobre os ombros a alça do recipiente térmico, soprou um vento vindo de NE, porém de maneira delicada, fazendo seus cabelos louros e fartos se agitarem levemente.
Caminhou em direção à àgua até ter suas canelas e a barra da calça arregaçada serem tocadas por ela.
Foi rápido, e em menos de 1 min  ela surgiu bela e radiante como sempre, derramando seu manto prateado sobre as águas num feixe luminoso que  atingiu sua alma e coração.
Abriu o feixe ziper da sacola térmica retirando a garrafa de cor escura e rótulo dourado...
Desenrolou o arame que prendia a rolha de cortiça sem pressa, e sem esfôrço de seus dedos ela saltou do gargalo com o agradável estampido...a espuma branca do Dom Perignon safra 55 transbordando!
Duas taças de cristal da Bavária receberam o líquido borbulhante...
Olhou para a Lua cheia que nesse momento já flutuava acima do horizonte, e sorriu feliz.
Uma das taças foi despejada na água, a outra tocou seus lábios com as bôlhas do champagne atingindo seu nariz de maneira tão aromática quanto o delicioso sabor que o néctar dos deuses lhe proporcionou ao paladar.
Se voltou para o NE e brindou sua amada, que naquele momento deveria estar cumprindo o mesmo ritual em outra praia, a 3.000 km de distância...
Voltou ao tronco encalhado, deixou ali a maleta térmica com a garrafa vazia e as taças.
Do estojo de couro retirou seu saxofone dourado que a tanto tempo lhe acompanhava.
Começou com Summertime, passou My Funny Valentine, Tenderly, e concluiu a serenata com a música dele e sua namorada distante...até demais...o Harlem Nocturne.
Do bolso traseiro da calça retirou o celular e  tocou  o dedo polegar na tecla de atalho 3...sua mão tremeu, seu coração acelerou...faltou coragem.
Suavemente fechou a tampa do aparelho e o colocou novamente no bolso.
Pouco depois tomou   à rodovia que o conduziria à Curitiba naquela madrugada de lua cheia.  
Exerceu seu outro prazer, o de dirigir seu Porsche em alta velocidade, o que o distraiu e atenuou a saudade!

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